

Um caso grave envolvendo possíveis complicações em procedimentos oftalmológicos está sendo investigado no município de Irecê, no norte do estado. Mais de 20 pacientes relataram perda total ou parcial da visão após atendimentos realizados em um mutirão promovido pelo Hospital Ceom, entre os dias 27 e 30 de março.
De acordo com a Polícia Civil da Bahia, mandados de busca e apreensão foram cumpridos na unidade na última segunda-feira (6). Durante a ação, foram recolhidos prontuários médicos e documentos que passarão por análise técnica para apurar possíveis irregularidades.
Segundo informações da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia, ao menos 26 pacientes apresentaram intercorrências após os procedimentos, com sintomas como dor intensa, vermelhidão, ardência e infecções oculares. Em casos mais graves, houve necessidade de remoção do globo ocular.
Os pacientes foram submetidos a aplicações intravítreas — procedimento considerado, em geral, seguro e de rápida execução — utilizado no tratamento de doenças da retina. Ainda assim, todos os pacientes afetados apresentaram comprometimento da visão em pelo menos um dos olhos, conforme relatos de representantes legais das vítimas.
Diante da gravidade dos casos, a Sesab suspendeu imediatamente o encaminhamento de novos pacientes para a unidade e iniciou uma investigação sanitária. Também há indícios, segundo inspeções preliminares, de possíveis irregularidades no armazenamento de medicamentos, o que é contestado pela clínica.
Em nota, o Hospital Ceom informou que realizou mais de 600 procedimentos durante o mutirão, seguindo critérios médicos e com exames prévios. A unidade confirmou 24 intercorrências relacionadas à terapia antiangiogênica e afirmou que os pacientes seguem em acompanhamento contínuo.
Casos individuais também chamam atenção. Uma idosa de 79 anos, por exemplo, perdeu completamente a visão de um dos olhos e apresenta comprometimento no outro após o procedimento. Familiares relatam agravamento do estado de saúde e denunciam dificuldades no atendimento posterior.
O caso também mobiliza o Ministério Público da Bahia e ações judiciais já foram iniciadas por pacientes e familiares. As investigações seguem em andamento para identificar as causas das complicações e eventuais responsabilidades.
