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São Paulo: Ex-bispo católico vira réu após padre denunciar sequência de abusos sexuais

Publicada em 07/07/2026 às 20:33h - 26 visualizações

por Broto FM


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O ex-bispo de Catanduva (SP), Dom Valdir Mamede  (Foto: Divulgação/Diocese de Catanduva)

Tribunal de Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público. A informação foi confirmada após apuração do UOL. O caso está sob sigilo e o TJ não se pronunciou sobre o assunto.

Denúncia aponta que os abusos teriam ocorrido por cinco anos, entre 2019 e 2023. A acusação apresentada à 2ª Vara Criminal de Catanduva diz que os episódios aconteceram na Paróquia de São Sebastião, em Ibirá, e na Residência Episcopal de Catanduva, no interior paulista.

Promotor Caíque Ducatti atribui ao menos quatro fatos ao ex-bispo. "Aproveitando-se dessa relação de hierarquia, da extrema vulnerabilidade psicológica da vítima e de ameaças veladas de punições canônicas, como, por exemplo, remoção da paróquia ou o impedimento do exercício do ministério sacerdotal, caso seus desejos não fossem satisfeitos, Valdir Mamede iniciou um processo de aproximação física da vítima sob o pretexto de necessitar de cuidados pessoais (depilação corporal íntima), conduta que mascarava sua real intenção libidinosa (dissimulação)", escreveu.

Inquérito policial citado descreve episódios na residência episcopal, em Catanduva, e também em Ibirá. Entre as situações relatadas, o MP afirma que, em 2022, Mamede teria agarrado e beijado o padre à força durante uma noite em que assistiam a um filme.

Denúncia também menciona ligações por vídeo em que o ex-bispo apareceria nu e se masturbaria, além de uma visita à casa do padre em 2023. Segundo o MP, nesses casos Mamede estaria embriagado e teria tentado agarrar a vítima sem consentimento.

Promotoria pede condenação e indenização mínima de R$ 300 mil por danos morais à vítima. Ducatti afirma que deixou de oferecer Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) porque "os crimes são contra a dignidade sexual, foram praticados de forma reiterada, por cinco anos consecutivos, por agente que possuía autoridade sobre a vítima".

O UOL tenta localizar a defesa de Valdir Mamede. O espaço segue aberto para manifestação.

Ministério Público também solicitou ao Judiciário a imposição de medidas cautelares para evitar contato do réu com a vítima e testemunhas. A lista inclui proibição de comunicação por qualquer meio e limite mínimo de 500m de distância.

Pedido prevê ainda que Mamede não frequente a paróquia em Ibirá e a sede da Diocese de Catanduva durante a instrução criminal. O MP também quer que ele não saia da comarca onde mora sem autorização judicial e entregue o passaporte em até 24 horas, se a Justiça determinar.

Denúncia cita risco à vítima e às testemunhas e menciona indícios de conduta semelhante contra outros seminaristas. "O cenário de abusos sistemáticos e a manipulação psicológica empregada pelo denunciado demonstram que a liberdade plena do acusado representa risco concreto à integridade física e, primordialmente, à saúde mental da vítima e das testemunhas arroladas", argumenta o promotor.

Fonte: Uol




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